Quem brinca com fogo pode se queimar

A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento. (Albert Einstein)

Aos quase 50 anos, é a primeira vez que percebo um boicote a parte da imprensa esportiva por parte da população. Seria um erro crasso se dizer que a pressão sobre uma rádio líder de audiência, sobre um pool de jornais encabeçado por um deles, o de maior circulação, e sobre programas esportivos onde fica registrada a diferença de tratamento entre os dois times de maior rivalidade citadina, apenas representa a expressão de um grupo de torcedores fanáticos, ou vândalos inescrupulosos, ou indivíduos de caráter duvidoso.

Pelo contrário, a reflexão deve ser mais aprofundada se existe real desejo de compreender o sentimento dos que se revoltam, de diversas formas, diante do que aparentemente é a voz do povo, ou a consciência do dia-a-dia.

Acontecem três fatos que quero chamar à atenção de todos vocês. O primeiro, de que a humanidade, desde seus primórdios, teve como princípio gratificante e edificante o respeito. Sem distinções de sexo, raça, idade, condição socioeconômica e, sobretudo, cultural, nunca nos submetemos ao deboche, à palavra de naipe duvidoso e à tergiversação dos acontecimentos, exacerbando-os ou escondendo-os.

O contrário, por mais bem elaborado, adornado e decorado, dias mais, dias menos, acaba provocando em todos; uns mais, outros menos; uns antes, outros depois; diversos tipos de reações negativas. Ninguém acaba felicitando e dando os parabéns para esse modelo. O papel de bobo da corte tem validade curta.

É claro que os ataques não foram unicamente um chamado de atenção sobre o sentimento dos cruzeirenses; é um chamado de atenção da população de maneira geral. Neste caso, por boca dos cruzeirenses. Amanhã, será dos atleticanos. Porque a mensagem é: podemos ser o que qualquer um imaginar, mas não somos bobos de nenhuma corte. PRIMEIRA FORMA DE BRINCAR COM FOGO.

E aqui coloco o segundo aspecto a que me referia, o político. Isso também é diferente culturalmente, pelo menos do que conheço em Uruguai, Argentina e Chile. Como nos países citados votam-se chapas, e não pessoas, dificilmente radialistas, comentaristas, chefes de torcidas, etc. pensam lutar numa interna e ocupar uma posição X na chapa. Muito difícil porque os partidos têm seus líderes, seus burocratas, e se concorrerem, dificilmente ganharão um espaço alentador.

Não conheço ninguém com microfone em mão amanhecendo no outro dia Vereador, Senador, Deputado. Apenas o caso do presidente de Boca Juniors, que hoje é o Prefeito da cidade de Buenos Aires. Mas, ele já fazia política antes, bem antes. Sua militância é de longa data.

Resumindo: se qualquer programa radial e televisivo, ou coluna jornalística, a quem se devem respeitar pela liberdade de imprensa no Estado Democrático, foi pensada inicialmente como trampolim político, talvez se devam repensar e rever a forma de encará-lo. Afinal de contas, uma parcela enorme da população já rejeita essa maneira de fazer jornalismo. SEGUNDA FORMA DE BRINCAR COM FOGO.

O terceiro aspecto é o modus operandis. Essa intimidade com o cliente (trata-se de mídia privada, não pública), falando o mesmo discurso para “chegar perto”, tem, como tudo na vida, seus prós e seus contras. Num esporte de massa, como o futebol, onde afloram todos os sentimentos, mais tarde ou mais cedo, apareceria o conflito. Porque o relacionamento humano nunca é linear. Menos, quando há opinião. Menos ainda, quando há tanta aproximação. Pior ainda, quando se utiliza como metodologia a indução da resposta. TERCEIRA FORMA DE BRINCAR COM FOGO.

Enfim, são as defesas que a sociedade tem para se preservar, para não ser menosprezada, seja como ela for. Em todo caso, é uma forma de se dizer: não lucrem com a minha inocência. Sobre as metodologias, dependem da própria sociedade.

Será que serão eles os que chamarão às torcidas para as FINAIS DA PAZ??

Texto de 17/04/2009, de autoria de Jorge Schulman, argentino, gente fina e o mais Cruzeirense entre os torcedores do River Plate.

Anúncios

18 Respostas to “Quem brinca com fogo pode se queimar”

  1. Mãe do Lélio Says:

    Já havia lido este texto no blog do autor e gostei muito.
    Parabens a este site que depois de décadas tiveram coragem de reagir

    O povo não e palhaço

    A voz do povo agora será ouvida

  2. Jose Henrique Freitas Says:

    Vox populi, vox Dei.

    O povo, unido, jamais será vencido!

    Nunca nos calarão!!!

  3. Patrícia Silveira Says:

    Olá, eu preicsava esclarecer alguns pontos com o administrador deste site, para fins acadêmicos. Caso possa me ajudar, gentileza entrar em contato por e-mail.

    • imprensamineira Says:

      Infelizmente não estamos autorizados. Se vc quiser detalhar melhor suas necessidades e/ou dúvidas na área de comentários, talvez possamos ajudar. Ou envie um email para contato@imprensamineira.org e assim que o webmaster resolver os problemas lá agente tenta colaborar. Atenciosamente, Coordenação Movimento Imprensa Mineira.

  4. GUTEMBERG Says:

    “a pior forma de alienação é a induzida por um agente que pretende prevalecer sua verdade”

    isso é típico da imprensa esportiva desvirtuada de bh que quer criar uma verdade pró atlético. Isso se deve aos comandantes dessa classe que são conselheiro do atlético de bh, assim não respeitam a dita ética, pelo contrário tentam iludir seu público atleticano, vendendo uma realidade criada por estes meios de comunicação.
    POR ESTE TIPO DE DESVIO DE CARATER POR PARTE DESSA IMPRENSA É QUE ESTAMOS COMBATENDO.

  5. lelo Says:

    muito bom!
    sempre leio!!

    sabia que muitos jornalistas ja visitaram aqui?e sabia que muitos, mesmo sendo atleticanos, concordam?

    abraços a todos

  6. Robson Tovarish Says:

    A imagem do Cruzeiro resplandece

    Esse mundo azul é realmente inacreditável. Quando uma nação consegue concatenar idéias com os seres da outras nações, mesmo que eles tenham divergências de credo, cor, etnia e responsabilidades. A nação azul mostra quanto é importante o diálogo, o boca a boca, o pé de ouvido, as bandeiras tremulando, o grito de guerra em busca da paz, as mãos estendidas em busca de consenso. As palavras nos meios, informando, educando e acima de tudo colocando ao povo que gestos, palavras escritas e faladas, as barreiras são ultrapassadas. Esse Argentino Jorge Schulman é a pura expressão do que estou falando. As palavras saem do seu coração com intimidade verdadeira, espalhando sua arritmia de protesto com a opressão veicular da mídia sufocante em busca de espaço. Olhem o azul do céu, como seria se fosse preto? Olhe o céu noturno, quantas estrelas. A imagem do Cruzeiro resplandece.

    • imprensamineira Says:

      Maravilhoso o texto. Vai escrever um post ou não vai? Vc está NOS devendo… abração

      • Robson Tovarish Says:

        Com todo respeito à oposição

        Fico aqui pensando o que leva homens, mulheres e crianças a sonharem tanto. Muitas destas pessoas tentam a todo custo a conquista de um troféu ou medalha nesta competição acirrada que é a vida. Muitos de nós da situação ficamos sem entender de onde vem tanto fervor em busca da gloria. A alucinação desenfreada coloca veículos de comunicação e pessoas apostas para o que der e vier, mesmo sabendo do grande grau de dificuldades econômicas, culturais e tecnológicas. O sonho de manter ativo, torcer contra o vento, enfrentar tempestades de gols, gritarem, manipular letras, papeis e microfones, criar e manter grandes ilusões de competições geladas sem relação alguma com as características esportivas. Mas temos que reconhecer que para sermos os primeiros, haverá os segundos, os terceiros, enfim o resto da fila. Uma rivalidade que muitas vezes vem gerando lesões corporais e até autópsias. Essa semente é mantida viva a quatro cantos à custa de uma utopia, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral a milhares de seguidores fieis a um sonho. Com todo respeito à oposição, mas para conquistar os triunfos, é preciso organização, projetos, trabalho, mídia construtiva e acima de tudo, uma boa arvore genealógica. Nem todos podem ser artistas, nem todos podem ser craques e com todo respeito à oposição, nem todos podem ser o Cruzeiro.

      • imprensamineira Says:

        Pode virar post?

      • Robson Tovarish Says:

        vá em frente

  7. simone castro Says:

    Jorge Schulman: esse eu já conheço e acompanho sempre.
    O protesto dos cruzeirenses foi o início de algo que pode ser muito maior.
    Daí se formam opiniões, e o povo deixa de ser mero coadjuvante, para ser o senhor dos seus desejos e opiniões.

    • imprensamineira Says:

      Bem vinda… Nossa Guerreira dos Gramados e dos Blogs… Quando quiser postar algo é só avisar. Por enquanto, até o email voltar a ativa, poste como comentário, avise que é para virar um post que eu tiro e posto pra vc. Dá uma olhada na ótima coluna que recebi e postei hoje: “Comprei uma poltrona!” rsrrsss

  8. Carlão Azul Says:

    Grande Schulman, pessoa de dignidade acima da média e Cruzeirense de primeira hora.

    Parabéns pelo texto, eu também já havia lido esse ótimo artigo.
    Felizmente a população anda agora mais atenta a essas nuances.

  9. Walfrido Says:

    Também já tinha lido essa coluna do meu amigo Jorge Schulmann lá no cruzeiro.org. Nota 10. Escrita bonita e inteligente. Parabéns imprensa mineira ao dar voz a gente desse naipe.

  10. Robson Tovarish Says:

    senhor editor, porque não abrir espaços para alguns colunistas.

    • imprensamineira Says:

      Já passei a idéia ao Webmaster e aos coordenadores. Acabei de postar seu texto. Se não rolar as colunas acho que os posts assinados já cobrem bem essa lacuna. Abraços

  11. Oliveira Ferreira Says:

    Parabens

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: